A CIDADE DE OURO PRETO

 

Ouro Preto é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, famoso por sua magnifica arquitetura colonial. Localiza-se a uma latitude 20º17'15" sul e a uma longitude 43º30'29" oeste, estando a uma altitude de 1179 metros. Sua população estimada em 2004 era de 68 208 habitantes.

No município há 12 distritos: Amarantina, Antônio Pereira, Cachoeira do Campo, Engenheiro Correia, Glaura, Lavras Novas, Miguel Burnier, Santa Rita, Santo Antônio do Leite, Santo Antônio do Salto, São Bartolomeu e Rodrigo Silva.

 

 

TURISMO

Apesar de ter a a maior parte do intenso fluxo turístico focado na arquitetura e importância histórica, o município possui um rico e variado ecossistema em seu entorno, com cachoeiras, trilhas seculares e uma enorme área de mata nativa, que teve a felicidade de ser protegida com a criação de Parques Estaduais. O mais recente destes situa-se próximo ao distrito de São Bartolomeu.

Ouro Preto também se destaca pela atividade cultural. Todos os anos, sedia o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana - Fórum das Artes (em julho) e o Fórum das Letras  (em novembro), ambos promovidos pela Universidade Federal de Ouro Preto . Além desses dois grandes eventos, conta com uma rica atividade cultural ao longo de todo o ano.

 

 

 

 

 

A ORIGEM

A origem de Vila Rica está no arraial do Padre Faria, fundado pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira, pelo padre João de Faria Fialho e pelo coronel Tomás Lopes de Camargo e um irmão deste, por volta de 1698.

A vila foi fundada em 1711 pela junção desses vários arraiais, tornando-se sede de concelho, com a designação de Vila Rica. Em 1720 foi escolhida para capital da nova capitania de Minas Gerais. Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro I do Brasil, tornando-se oficialmente capital da então província das Minas Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto. Em 1839 foi criada a Escola de Farmácia e em 1876 a Escola de Minas. Foi a capital da província e mais tarde do estado até 1897.

 

A atividade mineradora

«A Coroa concedia aos responsáveis de descobertas uma mina de 80 varas sobre 40 e mais uma data de 60 x 30 sobre a mesma beta, ambas à escolha, entremeando entre uma e outra 120 varas para serem ocupadas por duas datas menores. O cálculo atual é igual a (80x40= 3.200 varas quadradas ou seja 3.872m2); ,60x30 = 1.800 braças quadradas ou seja 2.178m2 atuais.

Em águas correntes e nas quebradas dos montes, o quinhão do descobridor era de 60 varas de comprido por 12 de largo, metidas no meio da corrente ou da quebrada, sendo o de cada um dos aventureiros 1/3 menor; se o rio era grande, tocavam ao descobridor 80 varas e aos mais 60. Nas minas menores, em outeiros, campos ou às bordas de rios, era de 30 varas quadradas a data do descobridor e de 20 as outras; se a area não chegasse para todos os pretendentes, o Provedor devia dividir as datas proporcionalmente».

Não era distribuição fácil nem equitativa, pois às vezes eram explorados aluviões riquíssimos ao longo de um curso d'agua estreito, e assim a riqueza mineral não era bem distribuída. Pelo Direito da época, o senhor do solo e do subsolo era o rei, mas não podia trabalhar a terra e a dava em quinhões a particulares para explorar mediante parte nos resultados, o que constituía a pensão enfitêutica devida ao senhorio. A porção era de 20% = o célebre quinto do ouro cuja história é a própria história de Minas, segundo seu historiador Diogo de Vasconcelos. Para a arrecadação, em cada distrito havia um Guarda-mor com escrivão, tesoureiro e oficiais. «Consideravam-se novas só as lavras distantes meia légua de alguma lavra já conhecida, de modo que os ambiciosos afastavam-se delas para se enquadrarem nas regalias, multiplicando-se os manifestos e seus exploradores, sem garantia de vida ou propriedade, tendo que se entrincheirar no próprio local de trabalho, levantando abrigos ou aproveitando as bocas das minas, concorrendo para a disseminação d povoados». Vieram artífices de profissões diversas, no arraial de Ouro Preto e no arraial de Antônio Dias, no Caquende, Bom Sucesso, Passa-Dez, na Serra e Taquaral, construindo capelas, casas de morada e fabricando ferramentas.Em toda parte foi revirada e pesquisada a areia dos ribeiros e a terra das montanhas, levantando-se barracas perto de terrenos auríferos, arraiais de paulistas começando a povoar o interior da terra que hoje é Minas Gerais. Organizaram-se depois os povoados em torno de capelas provisórias, até a «grande fome».

 

 A corrida do ouro

Diz Antonil em 1710: « A sede insaciável do ouro estimulou a tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos tão ásperos como os das Minas, que dificultosamente se poderá dar conta do número das pessoas que atualmente lá estão. Cada ano vem nas frotas quantidades de portugueses e estrangeiros para passarem às Minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertões do Brasil vão brancos, pardos e pretos e muitos índios de que os Paulistas se servem.» E, adiante: «As constantes invasões de portugueses do litoral vencerão os Paulistas que haviam descoberto as lavagens de ouro - florestas batidas, montanhas revolvidas, rios desviados de cursos pois a sede de ouro enlouquecia. Desciam das serras que isolavam Minas homens levando familias, escravos, instrumentos de mineração, atravessando florestas e vadeando rios caudalosos depois de lutar às vezes contra índios expulsos do litoral. Frades fugiam dos conventos, proprietários abandonavam plantações, procurando como loucos as terras do centro - visão fugitiva de riquezas acumuladas sem luta nem trabalho… Os tratados comerciais ingleses asfixiavam o povo em Portugal, D. João IV vendera a nação portuguesa para assegurar o trono: por isso o êxodo do povo para a colônia. As centenas de arrobas de ouro que entravam nos portos de Lisboa e do Porto eram geralmente tomadas pelos ingleses a 1.200 e 1.500 a oitava, quando em outros portos tinha maior cotação. Ignorante e indigno, o Governo português empobrecia o povo por meio do fisco, opulentando outras nações. No início, desprezava-se mesmo o chumbo, platina, outras pedras preciosas, que não tinham valor por ignorância do Governo: colhia-se o ouro fácil de terrenos de aluviões, arrastado pela água, colheita fácil com instrum/ primitivos; empobrecidos os terrenos, e não conhecendo os mineiros outros processos de extração, haverá pobreza e decadência da capitania, nada fazendo a fidalguia rixosa e ignorante que dirigia Portugal - era sua crença que as minas eram inesgotáveis, as gemas amadureciam no seio da terra, sendo os raios de sol cristalizados nos abismos do mundo.

A ignorância da época vai-se depreender das cartas-régias e dos bandos. Não há uma só disposição favorável ao colono, um legista da época chega a dizer de boa fé que «o tributo que o povo paga é um direito senhorial que lhe é devido como fruto das terras de que o mesmo senhor tem o domínio exclusivo, para usar como bem lhe parecer.» A pessoa do vassalo era assim escravizada, principalm/ente quando não era nobre, exceção sendo d regra para o fidalgo no Direito civil ou consuetudinario... Será Minas capitania mais vigiada do que as outras, sujeita à rapinagem de seus governantes.

 

 Período imperial

Em 1823, após a Independência do Brasil, Vila Rica recebeu o título de Imperial Cidade, conferido por D. Pedro I do Brasil, tornando-se oficialmente capital da então província das Minas Gerais e passando a ser designada como Imperial Cidade de Ouro Preto.